sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Não é que é ruim 'fazer história'. Na verdade eu não sei daonde vem esse medo, como se fosse uma vergonha não de existir, mas existir da maneira errada. Tudo o que eu sou foi uma coisa tornada maior, ou não. Uma coisa que já existia. Nada foi criado por mim, não por depois apontarem o dedo perguntando o que eu fiz, asm de não conseguir manter e tudo sumir.. Mas nada some por inteiro... sempre alguém vai se lembrar. E eu tenho medo desse alguém. É um medo cego, não sei daonde vem. Mas é o que eu tenho.
O cheiro enjoativamente infantil dele estava entranhado nas minhas mãos depois de se entrelaçar com as dele, que eram tão macias e tão quentes que suavam perigosamente. Mas era confortante. Ele era bonito e muito delicado, com a pele mais macia que jpa toquei, e tudo o que eu queria erar ficar com ele como cuidar de uma boneca. Foi quase como se apaixonar como uma garota... ali eu não era mais uma garota. Eu era um monstro que não sabia mais fazer carinho. Teve um momento em que nossos olhos se encontraram e não se desfizeram... eu sou uma pessoa que sepre foge mas isso não aconteceu dessa vez. Talvez porque eu sabia que VOCÊ ia fugir [o que no final você fez], então eu me sentia na obrigação de cuidar que tivéssemos alguma relação memorável por alguns minutos... alguma coisa que você pudesse se lembrar. O nosso encontro na verdade foi a minha 'segunda vez'. A minha primeira tinha sido desastrosa, com alguém que tanto não sabia conduzir como eu também não sabia como dizer o qu eu queria. Dessa vez fiz certo, pena que foi com a pessoa errada... Mas quem sabe a maciez das suas mãos tenham sido  uma preparação da rigidez que eu procuro há tanto tempo...
Nós podíamos agora existir juntos mas não, você teve pressa. Mas quem sente a sua pressa sou eu porque quem corre sou eu, que corro atrás de você sem fazer barulho. Se você parasse um pouco de andar e olhasse para trás, talvez...
Mas eu sei que não vai olhar. Continue andando então mas ande por vezes de lado para ver minha silhueta ou com os ouvidos atentos para que sinta a presença dos meus passos. Já vai fazer uma grande diferença.
Eu nunca acreditei, nem quis que tudo tivesse um fim. Porque eu não encontrava sentido em lamentar o fim das coisas boas, e não das coisas ruins, como se só as boas tivessem fim. É o que parece, ao menos.. o mal nunca irá embora, e enquanto ele não for, haverão pessoas dispostas a fazê-lo ir [embora saibam que uma hora ele vai voltar] e assim o sofrimento, e consequentemente o desenvolvimento, não vai permitir que a alternância da guerra em busca de paz deixe a humanidade cair.
E então eu entendo por que vivo com medo, e ele me assusta quando eu REALMENTE o percebo aqui, mas depois ele se esconde, não some, apenas fica ali. Eu queria viver sem medo. Mas eu só sou eu porque estou sempre com medo..

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Droga, que vontade de não ser humana.

L. [I]

Nós dois, quando estamos juntos, nos sentimos acima da terra e do mar, como dois príncipes que sabem que se pertencem e que não precisam assumir: nossa postura fala por nós. Nossa conversa é cadente e calculada, e hoje eu percebi que não é só eu quem conduz essa dança por demais pomposa: você também faz isso, só ainda não descobri se é por querer. Sua celestialidade se revelou para mim desde que te vi pela primeira vez, então quer dizer que é mais ou menos normal, mas até onde e por quem?
Mas, minha carne insiste em querer ser mostrada, mesmo que ela acabe se chocando contra uma fria parede de 'angelicalismo' [?] que aparece entre nós dois [da sua parte, é lógico]. Você sabe, quando duas pessoas começam a se medir, é porque uma delas está mentindo descaradamente pelo desejo de ser aceito.
Eu fico imaginando seu beijo e sinceramente, não consigo sentir gosto nenhum. Quer dizer, eu não consigo saber. Então me dirijo à sua pele e seu cheiro para ver se encontro algum cheiro de pecado. Mas o  seu cheiro é algo realmente imaculado, uma coisa doce que tem a ver com os demais homens que encontro  e por quem nunca teria coragem de tirar a roupa. Ou talvez seja porque eu procuro você em todos os homens, porque eu ainda não entendi como te desejo tanto mesmo sabendo que você [parece, só parece] não poder[querer] me satisfazer. Acho que se você só segurasse a minha mão eu já seria uma mulher muito realizada, pra ser honesta. Só um aperto de mãos, cadente, calmo e de beiradas. Exatamente como nós dois somos.

Eu digo que sou uma pessoa que gosta de saber o que está fazendo. Mas estranhamente, nesse campo, eu gosto dos acasos. Não é uma coisa que a gente pense 'vamos fazer assim'. 'vamos pra lá'. 'te encontro amanhã, esteja pronta'. Não. Eu gosto não do susto da surpresa, mas o prazer do não sentir. Porque se eu sentir algo, com certeza vai ser medo, porque toda vez que eu sinto algum tipo de expectativa, essa expectativa vem seguida do medo. E depois, a desistência. Porque não aguento a dor. Eu não gostava de ir na montanha-russa quando era criança, e não gosto até hoje. Porque não gosto do que tem ali. É algo programado, mas algo que antecipo e por isso, sinto medo.
Então, não faço. Se vai me dar medo, não vou fazer. Mas se quiser que eu faça algo, faça com que eu faça sem saber. Pra não doer.