domingo, 6 de fevereiro de 2011

Vou fingir que te amo até amar alguém de verdade. Ou você me amar de verdade.

Driving me wild.

Eu não estou louca por você. Eu estou louca por mim mesma, porque a loucura parte das minhas invenções. Eu fiz você. Eu inventei você. Eu te visto, eu te falo e te escrevo, e fujo de você quando eu quero. Te acho bonito e você tem seus defeitos, para que na minha cabeça eu torne você um pouco mais real do que eu intimamente gostaria que fosse. Eu adoraria ter a perfeição, mas parece que ela passa longe do meu mundo.

E, de repente, você existe. Fugir não dá, então. Queria fazer você desaparecer às vezes.

Não adianta. Já faz parte. Qualquer dia desses vou te mandar embora. Ou não. Penso em mim, penso em você. Sem mais.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"I'm so high, I can hear heaven..."

Sobressaía. Isso é tudo. Eu podia ver. Eu podia quase sentir.
Não havia mais nada onde devia. Porém havia algo mais. Incomodava. Atraía. Excitava.
Alto. Mais alto. Para que eu possa levantar a cabeça para o céu toda vez que quiser ver o seu rosto. Então você me pegaria no colo, e eu não precisaria ficar na ponta dos pés para mexer nos seus cabelos.
E tudo seria um só...

Escrotices.

Pois é, é assim que se acaba com a magia.
Aquilo ali não era órgão sobre órgão. Era carne sobre órgão. Você viu alguma coisa? Você sentiu alguma coisa?
Havia um cheiro doce no ar. Forte demais, na minha opinião. É realmente disso que você precisa?
Sabe, eu pensei que as coisas fossem mais rígidas. Mais sórdidas. Mais realistas. Mas não, não é bem assim. O mundo real é bem diferente.
Eu não sou o mundo real. Eu sou um clarão aqui e ali. Eu passo, faço barulho e você se assusta e logo vou embora.
Você só pode me atravessar. Os outros vão em você e colidem. Fazem barulho? Acho que sim. O barulho é outro, porém. É isso mesmo? É.
Você pediu carne. Lá estava a carne. Cheirosa e macia. Era essa a magia?
Carne demais na minha opinião. É isso mesmo?
A minha deve ser fedida, se algum dia você já a viu.

Ou não. Coisas bem piores estão guardadas por aí. Eca.

All over me.

Eu podia sentir a energia. Ela não tinha cor nem cheiro, mas era quente, e quase como um imã. Será que você também a sentia? Queria mantê-la viva? Não. Mas por favor, me diga se você ao menos SENTIU. E se, pelo menos uma vez, não teve coragem de se entregar a ela.
Aí suas mãos se entrelaçariam nas minhas. Desse jeito mesmo, não o contrário, e elas continuariam assim, e você apreciaria, não ia fugir ou se afastar. Você as apertaria, faria carinho nelas. Você diria qualquer coisa séria sem desviar do meu olhar, e seus olhos cresceriam e brilhariam, como eu vi acontecer uma vez, e gostaria tanto de ver de novo. Você olharia para mim, só para mim, e só eu existiria, e só eu importaria.
Você não me veria, porém. Seria alguém novo. Alguém que esteve por aí o tempo todo, e que você não quis. Alguém que você um dia desejaria e não teria medo. Alguém que você perceberia, que você visse luz, que você visse algo que desejasse muito, enfim. Que não precisasse falar muito. Que seria carne sobre carne, e assim pudesse ser alma sobre alma. Nossos corações bateriam juntos, e você escutaria e acharia lindo. E mexeria nos meus cabelos, e eu te veria fechar os olhos. E o resto é história.
Eu te amo ou te desejo, e não importa se as coisas se confundem ou se distinguem. O fato é que elas existem. E o resto também é história.


"... e mesmo que fugisse, lá estaria eu esperando, e tu voltarias, assim como volto eu todas as vezes em que fujo de ti."

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

My Hair, your Hair, our Hair.

Eu chorei. Como um bebê. Ou como uma mulher.
Eu chorei na frente da coisa mais especial do mundo, e mesmo que tudo continuasse do mesmo jeito, eu podia ver que estava me perguntando assim: por que você está chorando? Eu não te faço mais feliz?
Faz. Esse choro é, antes de mais nada, a contemplação da felicidade extrema que eu estava em estar ali. Em como eu podia ver e sentir tudo, e era aquilo o que eu queria. Eu tinha medo, é verdade, mas aquilo já estava dentro de mim. As vozes e os movimentos, cada um deles.

Mas digo isso só agora que está tudo bem, o que não faz com que isso tudo seja uma mentira. Mas o outro lado da verdade é que eu estava chorando de dor. As lágrimas foram só a última coisa que me vieram, porque antes tudo o que estava adormecido em mim veio. E eu me perguntava se ninguem ali estava sentindo o mesmo. Como podiam?
Tudo o que eu tinha medo, um medo que carrego comigo desde criança, aparentemente sem motivo, estava ali. Era o medo da indiferença. O medo de gritar e ninguém ouvir. O medo da guerra. O medo das obrigações. O medo de ser homem. O medo de não poder fazer nada. O medo de servir e de ser um simples objeto. O medo de morrer sem motivo. O medo da morte.
Estava tudo ali. E NÃO É POSSÍVEL QUE NINGUÉM PODIA VER. Será que as mesmas pessoas que saíram dali eram as mesmas que entraram? Será que ninguém pensava como eu? Que havia algo errado? E que a gente tinha que mudar, para que não acontecesse aquilo tudo de novo?
Ou que essas coisas que, de fato, ESTÃO ACONTECENDO DE NOVO, não aconteçam mais. Onde as pessoas estão com a cabeça que não ali? Por que não querem ver?
Sabe, eu quero viver. EU GOSTO de viver. Eu gosto de ser mulher. Eu gosto de estar em paz. E eu não quero que ninguém acabe com ela sem motivo.

Pode me chamar de hipócrita. E sou mesmo, porque o mundo inteiro é, mas eu não sou burra. Mas eu chorei. E esse choro não é de hoje. É de muito, mas muito, mas muito tempo. É o choro de um mundo inteiro.

"you can change the world [I can't do it by myself, oh no]
you can touch the sky [ gonna take somebody's help, oh my]
you're the chosen one [I'm gonna need some kind of sign]
if we all cry at the same time tonight..."
["Cry"]

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Da boca pra fora aquilo que é da boca pra dentro.

Eu acho que eles têm medo de mim.
Agora descubro que nada é aquilo que todo mundo falava. É bem ao contrário. Eu estou fazendo errado o tempo todo e não sei fazer de outro jeito, porque eu não sei ser assim, e não quero ser assim. Porque a partir do momento em que eu destrancar, não haverá mais volta. E eu quero ter certeza daonde vou me jogar.

Eu vi que começar era importante. Tudo bem, eu começo. É assim ou não é, é agora ou nunca, ou eu ou elas. Me acostumei a não demonstrar medo e insegurança. Mas o que justamente procuram em mim é aquilo que eu tento esconder.

Então eles têm medo.

Eu tenho ódio desse medo. Porque nada me impede de começar, mas não me dá coragem para continuar.

Como se continua? Alguém precisa me ensinar, mas ninguém tem coragem!